Acessibilidade não é favor, é inovação: O case dos pincéis táteis da Quem disse, Berenice?

Muitas marcas falam sobre inclusão em posts bonitos no Instagram. Poucas têm a coragem de mudar a linha de produção para incluir de verdade. O Grupo Boticário, através da marca Quem disse, Berenice?, acaba de dar uma aula de como transformar discurso em produto prático.

A marca lançou uma linha inédita de pincéis de maquiagem desenhados especificamente para pessoas com deficiência visual ou baixa visão.

O Design que Resolve Problemas Reais

O projeto, desenvolvido pela DSGN In House (núcleo de design do grupo), atacou dores específicas desse público que passavam despercebidas pela indústria tradicional:

1. Identificação Tátil

Como saber qual pincel é de base e qual é de sombra só pelo toque? Os novos pincéis possuem marcações em relevo na base.

2. Geometria Anti-Rolamento

O cabo tem base quadrada. Isso impede que o pincel role e caia da mesa — um pesadelo para quem não enxerga onde o objeto caiu (e, convenhamos, uma funcionalidade útil para qualquer pessoa!).

3. Contraste Visual

As cerdas são coloridas para ajudar quem tem baixa visão a identificar o produto pelo contraste.

Co-criação: Nada sobre nós, sem nós

O grande acerto estratégico aqui foi o processo. A linha não foi criada por designers trancados em uma sala, mas em parceria com a Comunidade Beleza Livre, um grupo que inclui pessoas de grupos minorizados. Isso é UX (User Experience) na veia. Ouvir o usuário final antes de fabricar o molde evita erros e garante que a solução realmente funcione.

Por que isso importa para o seu negócio?

Este lançamento nos ensina sobre o conceito de Design Universal. Quando você cria um produto acessível, você frequentemente melhora a experiência para todos os usuários. Além disso, é o ESG (Environmental, Social and Governance) saindo do papel. A marca se posiciona como aliada de uma parcela enorme da população que consome, trabalha e quer se sentir bonita, mas é ignorada pelo mercado.

A pergunta que fica para nós, empreendedores e gestores: nossos produtos e serviços (ou até mesmo nosso site) são acessíveis ou estamos deixando clientes de fora por falta de adaptação?

Conta pra gente: você já tinha pensado na dificuldade que uma pessoa com deficiência visual tem para se maquiar?

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